Desistencialismo

Quando a existência se transformou em ego-existência? A busca de respostas interiores depois de traumas históricos na humanidade pode ter caído em um extremo até o vitimismo, fazendo escandalizar-nos da própria natureza humana, frágil mas real, que nos faz merecer um salvador. Porem hoje preferimos iludir-nos que aceitar a fraqueza que jamais nos deixará.

Penso que nada irrita mais nos meios de comunicações que uma atitude vitimista e egoísta. Expressar dor é próprio do ser humano e não devemos ter medo de falar dos nossos sentimentos, buscar a consolação é necessário para sobreviver. Mas desde muito tempo este período de sofrimento era passageiro. O luto ou a crise existencial é um momento de escuridade. Mas quem somente pode prolongar ou perpetuar? Somos nós a entrar na caverna de nosso egoísmos e vitimismo.

Quando choramos realmente a morte, sempre é das pessoas que amamos, que estão mais próximas ou a nossa própria e irreversível morte. O drama de muitos filósofos é  que o tempo esta acabando, e por isso tem tentação de pensar que sua voz é a unica ou a ultima sensata no mundo, e que depois da sua morte ninguém mais dirá algo especial ou importante. Se confinam na própria existência, até negar como real as vidas alheias ou sacrifícios de desconhecidos.

Quando na antiguidade se convocava um exército para a guerra. Muitos homens deixavam o calor de seus lares, os braços amorosos de suas esposas e a alegria juvenil de seus filhos, para enfrentar um frio campo, onde as vezes a natureza rustica dava conta de minar as vidas e esperanças de guerreiros fracos e sem sentido de vida. Mesmo na violência que aqueles homens eram submetidos, havia uma visão positiva da vida. Lutar por amor, sacrificar-se para entregar a vida por quem amamos.

Ao contrário da modernidade onde esquivar-se da morte e do sofrimento se tornou uma prática normal. Por meio de vidas mais cômodas, trabalhos mais leves e com os avanços da medicina, quase alcançando a “imortalidade”. Mas a consciência humana sofre quando percebe chegar o fim fatídico daquilo que evitou. Suas mentes se acostumam a ver a morte prolongar-se em suas vidas conforme envelhece.  Letras nihilistas sobre a morte não são experienciais, mas jorram com desespero do peito angustiante. Hoje pessoas morrem primeiro no coração e só depois concluem sua obra, com suicídios, hoje legalizados em muitos países.

Mas este olhar tão negativo sobre o fim da vida, é uma nuvem escura que tapou a esperança da humanidade e que insiste em permanecer. Enquanto alguns lutam pela vida outros lutam com medo da vida.

Abortistas usam  as mortes de mulheres em clínicas clandestinas como um argumento sem fundamento. Que no final refletem que não temem a morte, mas uma vida de sofrimento. Em outras palavras temem a vida e por isso matar crianças nos ventres maternos é melhor que possivelmente ver-las sofrerem. Esta brutal ironia daqueles que vivos dizem não a vida, nos gera a pergunta; o que nos diriam os mortos?

Sacrificar a vida já não tem valor, não é vida por vida. é morte por uma vida, e uma vida desgraçada e sem sentido. Sentimentos tão absurdos e continuamente contraditórios, mostram o estado quase esquizofrênico da sociedade atual. Homo Sentimentalis, só vemos que querem eliminar a morte, sua própria morte. E como não podem fazer na realidade o faz na ideologia, evitando pensar na morte como algo natural a vida, pondo como anti-teses da vida. buscam uma semi-vida, algo apodrecido e fadado ao fracasso existencial. Uma vida mesquinha e desgraçada que jamais cumprirá seu utópico objetivo.

É assim que a luta se torna mais férrea, quando o terreno já não é externo mas no núcleo de quem somos. Sim, o inimigo conseguiu ultrapassar barreiras que por anos esteve tentando derrubar. E enquanto estávamos “felizes” com as maravilhas do mundo ele passou sem que nos dessemos conta. Agora a força para expulsar este mal deverá ser ainda mais forte, porque o coração é frágil e a dor minará pouco a pouco a restante de vitalidade que ali se encontra.

Peguem suas armas! busquem abrigos seguros e amigos verdadeiros. O medo se respirará mas a inatividade é o objetivo principal do inimigo. Enquanto não fizerem nada ele penetrará cada vez mais fundo em seu interior, até que seu coração bata por ele.

O ferro se purifica com o fogo, aquilo que queima seu orgulho e vaidade serão constantes remédios para ti. Seu escudo será o conhecimento e os estudos, sua arma será a fé e o amor sincero ao próximo e dos que te amam. Sua luz será a verdade e a justiça.

Cortar o mal pela raiz, pode parecer um cliché, mas é uma experiencia dolorosa quando a raiz esta no coração.  Quando se está por tanto tempo imerso em águas turvas os horrores do mundo parecem normais. Mudar certos conceitos, será um trabalho difícil, aceitar premissas que irão contra nossas paixões será ponto de resistência que dará vantagem ao inimigo. Como a castidade pré-matrimonial se tornou algo utópico, motivo de burla, cuspiram tanto na virgindade com ideologias hedonistas, que para um jovem com retos propósitos de viver sua fé parecerá anti-natural.

Se especialistas dizem que estamos na era da pós- verdade, é porque pensam que o relativismo tocou seu ponto mais alto. Mas digo que estamos nos preparando para viver o tempo da verdade, da verdade encarnada. Verdade que se toca e se experimenta. Que a sua e a minha existência não sejam um núcleo subjetivo, vivido no egoísmo mais obscuro, mas que sejam fontes de luz, mostrando a realidade ao mundo. E aqueles trazem consigo verdadeiro valor permanecem e as almas ocas que são reflexo de si mesmos, subsistirão sozinhas, onde nem voz ou olhar as encontrarão.

 

 

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